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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nas Águas da Família Schiefelbein

Nas Águas da Família Schiefelbein

Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 14 de setembro de 2011.

Durante o vôo, o maguari e alguns outros pernaltas esticam o pescoço em linha reta. As grandes garças, ao contrário, inclinam o longo pescoço para trás numa belíssima curva, de maneira que a cabeça fica bem próxima das espáduas.
(Theodore Roosevelt)

Desde pequeno, as Maguaris (Ardea cocoi) me fascinam e parece que, volta e meia, as circunstâncias nos envolvem numa bela e emocionante trama. Às vésperas de minha jornada pela Margem Ocidental da Laguna dos Patos eu precisava encontrar, em Bagé, um lugar adequado para treinar e que não ficasse muito longe da cidade. A Rosângela sugeriu que solicitássemos à família Schiefelbein o uso de sua bela barragem, na Granja do Valente.

A recepção não poderia ser mais cordial e os amigos prontamente aquiesceram. Ao contrário do Rio Negro, em Bagé, aqui eu podia desenvolver meu treinamento mais adequadamente e com mais rigor. A volta pelo perímetro da represa, incluindo a entrada por um canal de tomada d’água para a lavoura, era vencida entre 40 e 50 minutos o que facilitava meu controle e me permitia desenvolver uma velocidade similar à que vou imprimir na Laguna dos Patos. A montante da barragem as árvores submersas exibiam, além de seus galhos secos, aproximadamente 30 ninhos das formidáveis Maguaris. Era a primeira vez que eu tinha a oportunidade de admirar de perto um ninhal de tal envergadura. Já observara inúmeros ninhais no Pantanal Mato-grossense e na Amazônia de diversas outras espécies, mas nenhum de Maguaris.

A navegação a cada volta ganhava um momento mágico que era poder admirar minhas caras amigas de perto e de lambuja um ninho, à altura de meus olhos, de um João Grande (Ciconia euxenura) com três grandes ovos. Graças aos Schiefelbein revivi, nestes poucos dias em que permaneci em Bagé, a ave de meus encantos juvenis.

-  Ardea cocoi

A garça-moura ou maguari é uma ave ciconiforme da família Ardeidae. É a maior das garças do Brasil, atingindo 1,20m de altura, uma envergadura de 1,80m e um peso de 3k. Durante o vôo as batidas de asas são ritmadas e lentas. Em deslocamentos médios ou longos encolhem graciosamente o pescoço ao mesmo tempo em que estendem as pernas completamente, apenas em pequenos vôos mantém o pescoço esticado em linha reta, como menciona Roosevelt. Fora do período reprodutivo vive solitária e, mesmo nessa época, a maioria mantém-se isolada durante a alimentação. Permanece pousada nas margens dos mananciais, em meio à vegetação, pescando peixes, rãs, pererecas, crustáceos, moluscos e pequenos répteis. Graças às suas longas pernas e pescoço consegue capturar presas de lugares mais profundos do que as demais garças.

Possui um longo período de acasalamento e nidificação que se estende de janeiro a outubro quando então reúnem-se em ninhais coletivos. Os grandes ninhos construídos com gravetos e forrados com gramíneas são construídos na parte superior e externa das árvores de maneira a permitir a aproximação das grandes aves. O casal se reveza desde período do choco até a alimentação dos 3 ou 4 filhotes de sua ninhada. O ninhal favorece a segurança contra os principais predadores, nesta fase, que são os carcarás e urubus, que tentam se apoderar dos ovos e filhotes.

Neste período a plumagem dos pais é acrescida de um pequeno tufo de penas brancas na base do pescoço além das penas acinzentadas e negras ficarem mais nítidas. O mesmo acontece com as penugens ao redor dos olhos que fica mais azulada e o bico que ganha um amarelo mais vivo. Os filhotes ostentam as mesmas cores dos pais, mas bem mais esmaecida, e não possuem a listra negra do pescoço ou do ventre.

– Blog e Livro

Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da “Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Pode ainda ser adquirido através do e–mail: hiramrsilva@gmail.com.



Solicito Publicação

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar (IDMM)
Vice Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional




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