ULTRAGAZ

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

BRASIL

BRASIL    ®           23/08/1.999  18, 45 horas             
                              Fahed Daher
Meu solo um dia foi tomado, foi explorado, sacrificado. Seduziram meu povo, seviciaram por séculos. Cortaram minhas matas. Poluíram meus rios. Perfuraram  meu solo fundamente, senti dores terríveis, sinto ainda. Meu céu chora lágrimas de chuva que vertem sobre meu corpo procurando lavar meus ferimentos. Eu não sou português, eu não sou negro. Não sou índio, emigrante ou estrangeiro. Eu sou eu, sangue nobre, lutador, sonhador, visionário e bom guerreiro, braço forte, eu bem sei do meu valor. Tenho sido amarrado no dinheiro, mas minha mente cresce e se estremece meu peito com valor de brasileiro.
 Bendito o pé que aqui pisou e aqui ergueu sua casa, e dá do seu suor as gotas que fecundam este solo. Tem-se origem não tem cores estrangeiras; não são brancas, vermelhas, pretas, ruivas, é o verde-amarelo, na pureza do céu de anil. Do meu sangue formou seu alimento. Da minha água seu encantamento. Do que sou cada um compõem comigo e comigo contribui para que eu seja forte e seja amigo.
Sou Brasil.
Eu quero ter respeito, eu sou nação.
Não quero parasitas no meu corpo.
Não quero que me cortem me desnudem.
Eu sou o alimento do faminto,
eu mato a sede do que me procura,
mas não me rompam a carne sem compô-la.
Não destruam a mata que me cobre,
não sequem os meus rios caudalosos,
nem quero que me explorem sem razão.
Não quero a mão estranha me explorando, nem quero bocas parasitas, torpes, sugando a minha seiva. Eu quero ser global neste planeta, mas não escravo. Aqueles que procuram meus tesouros venham morar aqui, produzam benefícios, não levem as riquezas que possuo no furto ilegal, deixando minha gente na pobreza, sem senso de moral.
Minhas escolas – as quero aprimoradas, agigantadas, com professores probos, dedicados, construindo gerações capazes de erigir castelos nobres, no humanismo do arrebatamento, nos mil sabores dos conhecimentos das artes, das ciências da filosofia, que faz crescer a alma a cada dia, sem permitir pobreza no meu solo.
Eu serei mais fecundo no consolo de sentir que na bondade, o fruto vicejante da fraternidade é à força da razão. Eu quero ver justiça no meu povo. Que haja respeito a todas as pessoas. Que em cada tribunal sempre ressoe a melodia plena do direito e cada juiz, carregue no seu peito o divino sentido do equilíbrio, capaz de sentenciar ou perdoar, sem importar a posição social, nem a pobreza ou condição racial, mas dentro dos direitos e deveres.
Não quero que haja tribunais injustos capazes de punir apenas pobres. Eu sou eu mesmo, cresço e me agiganto. Meu povo, brasileiro é bravo e forte. Meus rios, o meu solo, minhas matas, meus desertos e minhas cascatas são dádivas de Deus. Estou a proteger, com o céu por manto, quem puro e lutador vier lutar para crescer comigo e os filhos meus.

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Centro de Letras do Paraná – Academia de Letras José de Alencar. Sociedade Brasileira de Médicos Escritores –Vice presidente PR
Academia de Letras de Londrina- Academia paranaense da Poesia
- Governador de R.I 1995/1996.Academia de Letras Centro Norte do Paraná-



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