ULTRAGAZ

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

" PESSOAS E PROJETOS QUE FAZEM A DIFERENÇA"

Mãos da fraternidade a serviço da paz


HISTÓRIA DA OFICINA ESCOLA DE ÂNGELIS-SEJA Narrativa de uma das fundadoras e associadas-Presidente, Marlene Nardi de Assis:No ano de 1988 um grupo de voluntários da área social aceitou o desafio de fundar uma obra social no bairro 1° de Maio, que apresentava grande estado de miséria. Como primeira providência identificamos a área; calçada da antiga Rua 8, hoje rua Santa Clara de Assis em frente ao grupo Escolar Mendes Pimentel. Todos os sábados às 14:00 horas, ali nos reuníamos com as famílias que se assentavam no meio fio para receber aulas de artesanato, arrayolo, crochê, tricô, bordados, etc. Ministrava-se também aulas de moral e cívica. Oferecíamos a cada participante um lanche e uma cesta de alimentos. O Ceasa nos doava legumes e verduras. Uma empresa de frangos nos oferecia semanalmente cabeças, pés e pescoços de frangos que distribuíamos todos os sábados. A diretora do grupo escolar vendo o trabalho, ofereceu as dependências do grupo por empréstimo e passamos a funcionar com melhores acomodações. Em frente ao nosso trabalho ficava uma enorme área desocupada, que pertencia ao Sr. João Nogueira do grupo Nog. Escrevemos uma carta propondo a ele nos vender uma parte do terreno. Ele marcou uma reunião com os responsáveis em seu escritório. Em uma mesa abriu um grande mapa. Assinalou uma área de 3.600 m² e disse poderíamos providenciar o cartório. “A área é sua”. Estava vencido o primeiro desafio: tínhamos o terreno.O trabalho prosseguiu nas dependências do grupo escolar aos sábados, enquanto trabalhávamos pelos recursos para a construção da obra. Para isto abrimos em nossa residência uma pequena fábrica de roupa de cama, mesa e banho. Abrimos também uma pequena fábrica de alimentos, onde produzíamos lingüiça, vinagre de maçã e temperos especiais. Vendíamos para os amigos e fazíamos almoços beneficentes em nossa residência para angariar fundos. Em 1990 tínhamos o serviço de terraplanagem pronto, o projeto, e $ 1.800.000,00 para construção e equipamentos. Estava vencido o 2° obstáculo: alcançar recursos financeiros. Aguardava-se que passasse o período das chuvas, quando toma posse Fernando Collor bloqueando os recursos da Instituição. A CLR Advogados iniciou o processo contra o Banco Central. Ganhou! O Juiz ordenou que se entregasse o dinheiro à Instituição, mas o Banco Central recorreu e o processo se perdeu como muitos outros nas prateleiras do nunca. Teríamos que recomeçar.Para que o terreno não fosse invadido, o prefeito Dr. Renato Azevedo cercou o terreno. As chuvas do ano seguinte descaracterizaram o terreno que não servia mais para o projeto. Perdemos tudo. Em um dia de muita chuva resolvemos ir visitar duas famílias nossas, muito pobres. Uma tinha duas meninas gêmeas e a outra um casal de gêmeos e um bebê. Moravam juntas, o casal de gêmeos tinha 3 anos, mas de tão desnutridos nem sequer sentavam. As mães haviam saído para pedir algum recurso e as cinco crianças estavam sozinhas. Empurramos a porta devagarzinho e de longe já escutávamos o choro desesperado. Nossa surpresa ao vermos enormes ratos que comiam as mãos e os pés das crianças. De imediato fizemos uma campanha de material usado e construímos a Sejinha, que mantemos conservada até hoje para nos lembrarmos sempre dessa história. Construída para 6 crianças, abrigou 30 até chegarem outros tempos.Fizemos outro projeto e continuamos trabalhando no grupo escolar.Surge a C&A como possível parceiro. O Sr. Martinelli propõe que cada um cruzeiro que conseguíssemos, ele colocaria outro. Devagar já estávamos construindo o bloco A. Aceitamos a proposta, afinal tínhamos uma fábrica de roupas de cama, mesa e banho e uma pequena fábrica de alimentos. Nossos “Mestres” além de Jesus, Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá ensinavam: “comece com o que tem.” Lembramos das jóias dos amigos e em algum tempo tínhamos um pequeno arsenal em brincos, pulseiras, cordões, relógios e etc, que vendemos. Todos os valores foram dobrados conforme o prometido. Prosseguimos no grupo Escolar todas as tarefas em artesanato: arrayolos, tricô, bordado, crochê, uma pequena serraria, bijuterias, reforço alimentar, palestras educativas. Muitas das tarefeiras da vila já recebiam pelo que produziam. Surge uma promessa de parceria com a Vitae, apoio à Cultura, Arte e Promoção social. A Vitae pediu o projeto, queria também relações de móveis e equipamentos e seus respectivos custos. Era um teste de competência. Teríamos que, a partir das 12:00 horas de uma sexta-feira, providenciar tudo, para a reunião da Vitae em São Paulo na terça-feira às 13:00 horas . Conseguimos! O projeto foi aprovado! C&A e Vitae eram nossos parceiros. Muito devemos ao Sr. Martinelli pela C&A e Dra. Rebecca Raposo pela Vitae. Como já havíamos construído outra obra fazendo demonstrações de Yoga no Palácio das Artes, reunimos novamente alunos do Reencontro Yoga e repetimos o feito com resultados financeiros que eram dobrados pelo Instituto C&A conforme promessa. Ficou construído e inaugurado o bloco A. A Sejinha transferiu-se para as novas acomodações, construímos o anexo, a casa de boneca e a brinquedoteca. Mantivemos desde as primeiras horas o berçário, a creche, o núcleo complementar para 6 a 14 anos. Prosseguimos também o trabalho de artesanato aos sábados.Surge a necessidade do Bloco B e novamente a Vitae entra como parceira. Consegue o Abraço Credicard como parceira e construíram o Bloco B, onde funcionam as fábricas de roupas de cama,mesa e banho e alimentos congelados, Tecelagem, Show- Room e grande parte do projeto escolas.Vale dizer o grande apoio que a Instituição recebeu das prefeituras, regidas por Patrus Ananias e Célio de Castro.A Seja atende a 440 crianças e jovens de 2ª a 6ª feira. E aproximadamente 60 crianças e jovens aos sábados. A faixa etária é de 0 a 5 anos no berçário, maternal. A creche é de 6 a 14 anos, onde chamamos de núcleo complementar. Presta assistência a toda a família com o artesanato aos sábados. A sua mais recente realização é o Projeto Seja Solidário. É um projeto de ação comunitária, realizado 2 vezes ao ano. Tem como objetivo levar à família da criança assistida e aos funcionários que necessitarem, atendimentos médicos de especialidades variadas, assistência social, medida da pressão arterial, assistência judiciária consultiva, e palestras educativas. E objetivando aumentar a auto-estima dessas pessoas tão carentes de tudo, o Senac e a equipe da Natura Skin, oferecem corte de cabelos, massagem corporal e estética facial. Todos os profissionais envolvidos prestam seus serviços gratuitamente. A participação ativa e o compromisso é com a Solidariedade! A idéia é levar às pessoas, informações sobre sua saúde e seus direitos, para que ela vivam com dignidade e tenham uma melhor qualidade de vida. A intenção é atender futuramente a comunidade local como um todo, tendo as pessoas vínculo ou não com as crianças da Instituição. A Casa chegou a abrigar 960 crianças. Hoje são 440, mas poderá ser obrigada a mandar 200 crianças para as ruas por falta de recursos financeiros. O desafio atual é a manutenção da Instituição, e ainda não foi vencido.

Responsável pelo projetoDanielle Leal Lacerda "colaboradora voluntaria da SEJA"(31)3495-4426 / (31)9968-7434 / danielle.lacerda@clr.com.brContato SEJAEndereço: Rua Santa Clara de Assis, 96 Bairro Primeiro de Maio, Belo Horizonte, MGCNPJ: 25.458.720/0001-26Telefone: (31)3445-2678 / Central de Doações (31)3445-5699
Participe do Projeto GenerosidadeEntre no site www.editoraglobo.com.br/generosidade e conte sua história do bem. Você pode relatar sua própria ação transformadora ou a experiência de alguém - ou de um grupo - que pratique atos generosos.

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